sábado, 11 de julho de 2009

O VENTO DEBAIXO DAS MINHAS ASAS.

O vento debaixo das minhas asas

Carol Kline

Muito longe, no brilho do sol estão minhas maiores aspirações. Posso não alcançá-las, mas posso olhar para cima e ver sua beleza, acreditar nelas e tentar segui-las. (Louise May Alcott)

Em 1959, quando Jean Harper estava na terceira série, sua professora passou uma redação sobre o que eles queriam ser quando crescessem. O pai de Jean era piloto de um avião que pulverizava plantações na pequena comunidade rural no norte da Califórnia, onde ela foi criada, e Jean ficou totalmente fascinada por voar e por aviões. Ela colocou seu coração na redação e incluiu todos os seus sonhos: queria pulverizar inseticida nas lavouras, pular de pára-quedas, ver as nuvens (algo que havia visto em um programa de TV) e ser piloto de avião. Sua redação voltou com uma nota zero. A professora lhe disse que aquilo era "um conto de fadas" e que nenhuma das ocupações que ela listara eram profissões para mulheres. Jean ficou arrasada e humilhada.

Mostrou a redação a seu pai e ele disse que é claro que ela podia se tornar piloto.

- Veja Amelia Earhart - ele disse. - Essa professora não sabe do que está falando.

Porém, conforme os anos se passavam, Jean foi massacrada pelo desencorajamento e negatividade que encontrava sempre que falava a respeito de sua carreira: "Garotas não podem se tornar pilotos de avião; nunca puderam, nunca irão poder. Vocês não são inteligentes o bastante, são malucas. Impossível."

Até que finalmente Jean desistiu.

Quando estava no último ano do segundo grau, sua professora de inglês era a Sra. Dorothy Slaton. A Sra. Slaton era uma professora inflexível e exigente que possuía altos padrões e pouca tolerância para desculpas. Recusava-se a tratar seus alunos como crianças, esperando, ao invés, que se comportassem como adultos responsáveis para serem bem-sucedidos no mundo real após a formatura. No princípio, Jean teve medo dela, mas, com o tempo, passou a respeitar sua firmeza e senso de justiça.

Um dia, a Sra. Slaton passou um dever para a turma: "O que vocês acham que estarão fazendo daqui há dez anos?" Jean pensou a respeito. "Piloto? Nem pensar. Aeromoça? Não sou bonita o bastante - eles nunca me aceitariam. Esposa? Que rapaz poderia me querer? Garçonete? Posso fazer isso." Por segurança, foi isso o que ela escreveu.

A Sra. Slaton recolheu as redações e nada mais foi dito. Duas semanas depois, a professora devolveu o dever, de cabeça para baixo em cima de cada carteira e fez esta pergunta: "Se você possuísse uma quantidade ilimitada de dinheiro, acesso ilimitado às melhores escolas, talento e habilidades ilimitados, o que faria?" Jean sentiu uma onda do antigo entusiasmo e, animada, escreveu todos os seus antigos sonhos. Quando os alunos pararam de escrever, a professora perguntou:

- Quantos alunos escreveram a mesma coisa dos dois lados do papel?

Nenhuma mão se levantou.

A próxima coisa que a Sra. Slaton disse mudou o rumo da vida de Jean. A professora se inclinou por cima de sua carteira e disse:

- Tenho um segredo para vocês todos. Vocês têm talento e habilidades ilimitados. Vocês têm acesso a boas escolas e podem conseguir uma quantidade ilimitada de dinheiro se desejarem algo com fervor. Quando terminarem a escola, se não correrem atrás de seus sonhos, ninguém irá fazê-lo por vocês. Vocês podem ter o que quiserem, se desejarem o bastante.

A mágoa e o medo de anos de desencorajamento desmoronaram frente à verdade do que a Sra. Slaton havia dito. Jean sentiu-se animada e um pouco amedrontada.

Ficou depois da aula e dirigiu-se à mesa da professora. Jean agradeceu à Sra. Slaton e lhe contou sobre seu sonho de se tornar piloto. A Sra. Slaton levantou-se ligeiramente e bateu com as mão no tampo da mesa: - Então faça isso! - disse.

E Jean fez. Não aconteceu do dia para a noite. Levou dez anos de trabalho duro, encarando oposições que iam do ceticismo silencioso à hostilidade declarada. Não era da natureza de Jean manter sua posição quando alguém a rejeitava ou humilhava. Ao contrário, tentava tranqüilamente encontrar outra solução.

Tornou-se piloto particular e então conseguiu graduação suficiente para transportar carga e até mesmo aviões de passageiros. Seus patrões hesitavam claramente em promovê-la porque era mulher. Até mesmo seu pai a aconselhou a tentar outra coisa.

- Impossível - ele disse. - Pare de bater com a cabeça na parede!

Mas Jean respondeu:

- Eu discordo, papai. Acredito que as coisas irão mudar e quero estar entre as primeiras quando isso acontecer.

Jean foi em frente e fez tudo o que a sua professora da terceira série considerava "um conto de fadas" - pulverizou plantações, pulou de pára-quedas algumas centenas de vezes e até mesmo semeou nuvens, como modificação climática, durante um verão. Em 1978 tornou-se uma das primeiras três mulheres a serem aceitas como piloto pela United Airlines e uma entre apenas cinqüenta pilotos comerciais mulheres no país naquela época. Hoje, Jean Harper é piloto de Boeing 737 na United.

Foi o poder de uma palavra positiva bem colocada, uma fagulha de encorajamento vindo de uma mulher que Jean respeitava, que deu à insegura garota a força e a fé para perseguir seu sonho. Hoje, Jean diz:

- Eu escolhi acreditar nela.

(Carol Kline com Jean Harper)


- DO LIVRO 50 HISTÓRIAS PARA AQUECER O CORAÇÃO


Precisamos ter muito cuidado. Principalmente os professores! Para que não tornem-se “coveiros” dos sonhos e talentos dos seus alunos. O bom mestre, semeia encorajamento e liberta do desânimo. Educar, não é ensinar coisas. É mostrar que há caminhos.



Antonio Pereira ( Apon)

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