sábado, 31 de julho de 2010

PUDIM DE SOBREMESA




Pudim de sobremesa


Não há nada que me deixe mais frustrada do que pedir pudim de sobremesa, contar os minutos até ele chegar e aí ver o garçom colocar na minha frente um pedacinho minúsculo do meu pudim preferido. Um só.

Quanto mais sofisticado o restaurante, menor a porção da sobremesa. Aí a vontade que dá é de passar numa loja de conveniência, comprar um pudim bem cremoso e saborear em casa com direito a repetir quantas vezes a gente quiser, sem pensar em calorias, boas maneiras ou moderação.

O PUDIM é só um exemplo do que tem sido nosso cotidiano.

A vida anda cheia de meias porções, de prazeres meia-boca, de aventuras pela metade.
A gente sai pra jantar, mas come pouco.

Vai à festa de casamento, mas resiste aos bombons.

Conquista a chamada liberdade sexual, mas tem que fingir que é difícil (a imensa maioria das mulheres continua com pavor de ser rotulada de 'fácil').

Adora tomar um banho demorado, mas se contém pra não desperdiçar os recursos do planeta.

Quer beijar aquele cara 20 anos mais novo, mas tem medo de fazer papel ridículo.

Tem vontade de ficar em casa vendo um DVD, esparramada no sofá, mas se obriga a ir malhar. E por aí vai.

Tantos deveres, tanta preocupação em 'acertar', tanto empenho em passar na vida sem pegar recuperação...

Aí a vida vai ficando sem tempero, politicamente correta e existencialmente sem-graça,
enquanto a gente vai ficando melancolicamente sem tesão...

Às vezes dá vontade de fazer tudo 'errado'.
Deixar de lado a régua, o compasso, a bússola, a balança e os 10 mandamentos.

Ser ridícula, inadequada, incoerente e não estar nem aí pro que dizem e o que pensam a nosso respeito. Recusar prazeres incompletos e meias porções.

Até Santo Agostinho, que foi santo, uma vez se rebelou e disse uma frase mais ou menos assim: 'Deus, dai-me continência e castidade, mas não agora'...

Nós, que não aspiramos à santidade e estamos aqui de passagem, podemos (devemos?) desejar
vários pedaços de pudim, bombons de muitos sabores, vários beijos bem dados, a água batendo sem pressa no corpo, o coração saciado.

Um dia a gente cria juízo.
Um dia.
Não tem que ser agora.

Por isso, garçom, por favor, me traga: um pudim inteiro, um sofá pra eu ver Crepusculo,
uma caixa de trufas bem macias e o Cauã Reymond, nu, embrulhado pra presente.
OK?
Não necessariamente nessa ordem.

Depois a gente vê como é que faz pra consertar o estrago . ..


Martha Medeiros

COMO SE FAZ UM HERÓI..






Como se faz um herói

Talvez um herói se faça com umas gotas de amor, idealismo e uma grande vontade de promover o bem.

Ao menos para o jovem britânico Nicolas Winton a fórmula foi essa.

Tudo começou no ano de 1938, quando ele tinha somente 29 anos e viu cancelado seu plano de férias de final de ano. Atendendo ao convite de um amigo, ele foi para a Tchecoslováquia. O que Winton viu o deixou estarrecido.

Eram milhares de refugiados desesperados que tinham que deixar o país rapidamente.

De imediato ele percebeu que deveria fazer algo por eles. E fez.

Teve a ideia de retirá-los daquela terra, já sob o poder da Alemanha nazista.

Por conta própria, escreveu a vários países pedindo ajuda. Organizou uma primeira lista de nomes e recebeu resposta positiva da Suécia e da Grã-Bretanha.

De volta ao seu país, conseguiu o apoio de organizações beneficentes e encontrou pessoas dispostas a adotar os refugiados.

Também obteve os recursos necessários para o transporte e quando o primeiro trem chegou à Grã-Bretanha, lá estava ele, na plataforma, para a recepção.

Foram salvas 669 crianças por esse jovem. Crianças que se transformaram em escritores, engenheiros, biólogos, cineastas, construtores, jornalistas, guias turísticos.

Todos adultos generosos, que adotaram crianças, trabalham como voluntários, fazem o bem, como gratidão pelas suas próprias vidas.

Infelizmente, lamenta Nicolas, um novo grupo com quase 200 passageiros não pôde partir para a liberdade, porque no dia 1º de setembro de 1939 eclodiu a guerra.

Todos os meios de transporte foram bloqueados e os que não conseguiram sair, foram enviados aos campos de concentração.

Dizem que quem salva uma vida, salva a Humanidade. Que se pode dizer de alguém que salvou mais de 600?

Mas, um herói não para depois de um ato heroico. E, por isso, Nicolas tornou-se voluntário da Cruz Vermelha, na França, durante a guerra.

Trabalhou posteriormente nas Nações Unidas e, ao se aposentar, dedicou-se exclusivamente ao trabalho voluntário.

Vivendo no interior da Inglaterra, ele cuida do seu jardim e ainda usa o tempo para ajudar um asilo.

Não se considera um herói porque diz que fez o que todos consideravam impossível, simplesmente porque o seu lema é: Se não é obviamente impossível, deve haver uma maneira de fazer.

Discreto, nem à esposa com quem se casou em 1948, ele narrou o que fizera.

Foi em 1988 que o fato se tornou conhecido e ele passou a receber homenagens do Governo tcheco, da Rainha da Inglaterra, dos Estados Unidos e dos que foram salvos por sua atitude heroica.

Sua vida, seus méritos e a operação de resgate estão contidas na biografia escrita por nada menos do que uma das crianças que ele salvou: Vera Gissing, que o conheceu nos seus 80 anos de idade.

* * *

Um herói se faz com umas gotas de amor, idealismo e uma grande vontade de promover o bem.



Redação do Momento Espírita, com base em fatos da vida de Nicolas Winton.

COMO FAZER ALGUÉM FELIZ!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!





Como fazer alguém feliz

Aquele professor era diferente de todos os demais. Os deveres de casa que ele passava eram sempre surpreendentes. Criativos.

Enquanto os outros professores nos mandavam responder perguntas ao final do capítulo ou solucionar os problemas de números tal a tal, ele tinha tarefas bem diversas para nossa classe.

Naquela quinta feira ele falou a respeito do comportamento como um meio de comunicação.

"Nossos atos falam mais do que as palavras. O que as pessoas fazem nos diz algo sobre o que estão sentindo", afirmou.

"Agora, como dever de casa, vejam se conseguem mudar uma pessoa, massageando o ego dela o bastante. Tanto que vocês percebam uma mudança em seu comportamento. Na próxima aula, vocês relatarão seus resultados."

Quando cheguei em casa, naquela tarde, olhei para minha mãe e vi que ela estava sentindo muita pena de si mesma. Os cabelos lhe caíam sobre o rosto. A voz parecia um lamento. Enquanto preparava o jantar, ela ficou suspirando.

Quando cheguei, não falou comigo. E assim eu também não falei com ela.

O jantar foi triste. Papai estava sem vontade para falar. Foi aí que decidi colocar em ação o dever de casa.

"Mãe, sabe aquela peça que o clube de artes dramáticas da universidade está encenando? Por que você e papai não vão assisti-la hoje à noite?"

"Esta noite não dá", disse logo meu pai. "tenho uma reunião importante."

"Naturalmente", foi a resposta seca de minha mãe.

"Bem, por que não vai comigo?" - quando acabei de formular a pergunta, me arrependi. Imagine: um rapaz do segundo grau sair à noite com sua mãe. Mas agora não havia mais conserto.

Ela perguntou toda animada:

"De verdade? Rapazes não costumam sair com as mães."

Eu engoli em seco antes de tornar a falar: "não existe nenhuma lei dizendo que a gente não pode sair com a mãe. Vá se arrumar."

Ela carregou uns pratos até a pia. Seus passos estavam mais leves, em vez de arrastados.

Papai e eu lavamos a louça e ele comentou o quanto eu era um filho atencioso e gentil.

Deprimido, eu pensei :"tudo por causa da aula de psicologia."

Mamãe voltou para a cozinha, mais tarde, parecendo cinco anos mais nova.

Parecendo não acreditar no que estava acontecendo, ela insistiu: "você tem certeza de que não vai sair com ninguém esta noite?"

"Agora eu vou. Vamos nessa!"

A noite não foi tão desagradável como eu pensara. A maioria dos meus amigos certamente fez algo de mais empolgante naquela noite do que assistir uma peça de teatro.

Ao final da noite, minha mãe estava genuinamente feliz. E eu próprio, bastante satisfeito.

Acabei me dando superbem no dever de casa. E aprendi um bocado sobre como fazer alguém feliz.

***

Pode ser que você não tenha dever de psicologia para fazer em casa. Pode ser que você nem esteja estudando. Não importa.

Na universidade da vida, o curso não acaba nunca. Sempre é tempo de aprender e exercitar. Por isso, tente hoje, fazer alguém feliz.

Pode ser seu filho, sua esposa, sua mãe. Que tal um amigo, um irmão?

Simplesmente alguém que transite em seu caminho. Observe, ofereça seu tempo, sua companhia. Faça um comentário gentil. Abrace, beije, converse. Proponha um passeio. Um programa diferente.

E descubra como é bom fazer alguém feliz.






Equipe de Redação do Momento Espírita com base no cap. Como massagear um ego, de autoria de Kirk Hill, do livro Histórias para aquecer o coração dos adolescentes de Jack Canfield, Mark Victor Hansen e Kimberly Kirberger, ed. Sextante.

REFLETINDO.....





“Jesus deve ter pensado muito bem em suas atitudes. Sabia que elas seriam comentadas pelos séculos vindouros, e precisava dar o exemplo.
Seu primeiro milagre? Não foi curar um cego, fazer um coxo andar, exorcizar um demônio: mas transformar água em vinho, e animar a festa.
Seus companheiros? Não foram os que comandavam a cultura e a religião da época; mas homens comuns, que viviam de seu trabalho.
Suas companheiras? Não eram como Marta, que fazia bem direitinho a tarefa doméstica; mas como Maria, que o seguia com liberdade.
O primeiro santo? Não foi um apóstolo, nem discípulo, nem um fiel seguidor; mas o ladrão que morria ao seu lado.
O sucessor? Não foi aquele que mais se aplicou em aprender seus ensinamentos; mas quem o negou no momento em que mais precisava de ajuda.
Enfim, nada do que mandava o manual do bom comportamento.”


Paulo Coelho (2010)

O PESO DE VIVER





O peso do viver

Viver não é uma tarefa muito fácil.

Em todas as fases da vida os desafios se apresentam.

Na infância, há os trabalhos escolares, as tarefas cada vez mais complexas.

Na adolescência, perceber o mundo pode ser bastante doloroso.

Na juventude, deve-se optar por uma profissão e desenvolver esforços para conquistá-la.

Na época da maturidade, surgem problemas com filhos e abundam desafios profissionais.

Na velhice, o balanço do que se viveu pode causar decepção, sem falar nas forças físicas em declínio.

Permeando tudo isso, há problemas de saúde e amorosos, além de dificuldades com a família.

A vida é repleta de encontros e desencontros, de despedidas, lutas, vitórias e fracassos.

Dependendo do ângulo que se analisa, a vida pode parecer um castigo, um autêntico peso a ser suportado.

E realmente os problemas são inerentes ao viver.

Desconhece-se alguém que tenha atravessado a existência sem enfrentar dúvidas e crises.

Entretanto, viver é uma dádiva divina.

Embora a vida também envolva dores e sacrifícios, ela não se resume nisso.

Há a emoção do nascimento de um filho, a alegria de amar e ser amado, a beleza de um pôr-do-sol.

Depende de cada um escolher quais aspectos de sua existência irá valorizar.

É possível manter a mente focada na longa enfermidade que se atravessou, ou nas lições que com ela foram aprendidas.

Podem-se destacar os esforços feitos em determinada direção, ou a satisfação da vitória.

Conforme seja enfocado o aspecto positivo ou negativo das experiências, viver será algo mais ou menos leve.

Mas há outro aspecto a ser considerado a respeito das dificuldades inerentes à existência humana.

Como tudo no universo, os homens estão em constante aprimoramento.

Todos são espíritos, em jornada para a amplitude.

A existência terrena é um diminuto instante nessa maravilhosa viagem pelo infinito.

Após estagiar por longo tempo na seara do instinto, a humanidade desenvolve sua razão e ruma para a angelitude.

Para isso, necessita aprimorar sua sensibilidade, tornar-se valorosa e nobre.

As experiências com que a criatura se depara voltam-se justamente a prepará-la para seu glorioso porvir.

É preciso que os instintos gradualmente percam sua força, dando lugar às virtudes.

Assim, amar não mais como manifestação de posse, mas de forma sublime, preocupando-se em ver feliz o ser amado.

Educar a própria libido, percebendo-a como energia criativa, em harmonia com o cosmo.

Esquecer a tendência de dominar pela força, aprendendo a convencer pela lucidez dos argumentos.

Abdicar da violência, desenvolvendo a afabilidade e a doçura.

A vida chama as criaturas para um amanhã de luz, de paz e ventura.

Ocorre não ser possível cultivar um jardim em pleno charco.

Justamente por isso viver parece tão difícil.

É que os homens são constantemente convidados a abrir mão de velhos vícios.

Tanto maior seja a resistência em aprender a lição, tanto mais contundente ela será.

Assim, se você quer ser feliz, desfrutar de bem-estar, passe a remar a favor da maré.

Dome seus vícios, conscientizando-se de que eles é que o infelicitam e tornam sua existência penosa.

Ame a vida, seja honesto, trabalhador, bondoso e puro.

Em pouco tempo seu viver se tornará leve e prazeroso, pois você terá instalado um céu dentro de sua própria consciência.


Texto da Equipe de Redação do Momento Espírita.

A TECNOLOGIA DO ABRAÇO



A tecnologia do abraço por um matuto mineiro




O matuto falava tão calmamente, que parecia medir, analisar e meditar sobre cada palavra que dizia...
- É... Das invenção dos homens, a que mais tem sentido é o abraço.
O abraço não tem jeito de um só aproveitar! Tudo quanto é gente, no abraço, participa uma beradinha....
Quando você tá danado de saudade, o abraço de alguém te alivia...
Quando você tá com muita raiva, vem um, te abraça e você fica até sem graça de continuar com raiva....
Se você tá feliz e abraça alguém, esse alguém pega um pouquinho da sua alegria...
Se alguém tá doente, quando você abraça ele, ele começa a melhorar, e você melhora junto também....
Muita gente importante já tentou dar um jeito de saber por que que é que o abraço tem tanta tecnologia...
Mas eu sei!
O abraço é bom por causa do coração...
Quando você abraça alguém, faz massagem no coração!...
O coração do outro é massageado também! Mas não é só isso, não....
Aqui tá a chave do maior segredo de tudo:
É que, quando abraçamos alguém, nós ficamos com dois corações no peito!...
intonce...
Um abraçu prô cê!!!
"Não fique triste se alguém lhe virar as costas...
Isso significa, apenas, que essa pessoa não pode agüentar a firmeza de seu olhar.
O destino decide quem entra em nossas vidas...
As atitudes decidem quem permanece."

Sinta meu abraço com carinho,

A BORBOLETA AZUL




A Borboleta Azul

Havia um viúvo que morava com suas duas filhas curiosas e inteligentes. As
meninas sempre faziam muitas perguntas. Algumas ele sabia responder, outras
não. Como pretendia oferecer a elas a melhor educação, mandou as meninas
passarem férias com um sábio que morava no alto de uma colina.
O sábio sempre respondia todas as perguntas sem hesitar. Impacientes com o
sábio, as meninas resolveram inventar uma pergunta que ele não saberia
responder. Então, uma delas apareceu com uma borboleta azul que usaria pra
pegar uma peça no sábio.
- O que você vai fazer? - perguntou a irmã
- Vou esconder a borboleta em minhas mãos e perguntar se ela está viva ou morta.
Se ele disser que está morta, vou abrir minhas mãos e deixá-la voar. Se ele
disser que ela está viva, vou apertá-la e esmagá-la. E assim qualquer resposta
que o sábio nos der está errada!
As duas meninas foram, então, ao encontro do sábio, que estava meditando.
- Tenho aqui uma borboleta azul. Diga-me sábio, ela está viva ou morta?
Calmamente o sábio sorriu e respondeu:
- Depende de você. Ela está em suas mãos.

Assim é a nossa vida, o nosso presente e o nosso futuro. Não devemos culpar
ninguém quando algo dá errado. Somos nós os responsáveis por aquilo que
conquistamos (ou não). Nossa vida está em nossas mãos, assim como a borboleta.
Cabe a nós escolher o que fazer com ela.


Pense bem antes de fazer escolhas...