quinta-feira, 26 de março de 2009

SOBRE O AMOR............




Sobre o Amor.


por Aline Rangel.


Escrever sobre o amor é um prazer, um contentamento e um desafio. Muito se tem dito, cantado, encenado, teorizado acerca deste tema freqüentemente associado ao romantismo, nas experiências afetivo-sexuais, aos surtos de loucura das paixões… Mas onde está, verdadeiramente, este alimento da alma? Onde se encontra esta inspiração para despertar o melhor em nós? Não é fácil defini-lo, muito menos saber diferenciá-lo dos vícios, os quais nos acostumamos a entender como expressões e vivências de amor genuíno.
O que importa aqui é a disposição em refletir a respeito do que temos compreendido sobre amar e de como podemos nos aproximar das necessidades reais do nosso coração.

O amor, segundo Eugênia, assim como a felicidade, está associado à fraternidade autêntica, ao serviço ao próximo, ao desapego e a um sentido de propósito para nossas existências. Ainda que não se deva discriminar qualquer uma de suas manifestações, das mais primitivas às mais sublimes, importantíssimo reconhecer que, amadurecendo, o indivíduo acaba por refinar sua percepção do amor, vivendo-o de maneira diversa. Trata-se de mudança interessante, especialmente por dois aspectos: a pessoa se preocupa em dar, mais do que em receber, e se sente alimentada neste processo; ao invés de dirigi-lo a apenas algumas poucas almas, a criatura sente necessidade de partilhá-lo de forma ampla, coletivamente, entendendo-o como presente de Deus.
A maternidade é um exercício de doação sem espera de retribuição, tanto quanto a caridade é uma maneira de distribuir aquilo que abundante e continuamente recebemos da Vida, como verdadeiros mimos do Céu. Se vividos sinceramente, com espírito de serviço e entrega, de confiança e generosidade, sem as dissimulações e manipulações de poder, bastante comuns nesse tipo de relação de assistência (seja ela qual for), muito se pode avançar em termos de crescimento e de melhoria no campo dos sentimentos.
Onde está este sentimento que tanto desejamos? Será que já se encontra bem perto, a esperar de nós o mínimo de disposição em vivê-lo, no exercício do amor ao semelhante? E já que sabemos que se deve amar o próximo como a si mesmo… Em que momentos estamos expressando carinho, ternura, amparo, acolhimento a nós próprios, independentemente do quão imperfeitos ou limitados sejamos? “É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã…” (*1), lembram-se? Então… Agora é o instante de experimentar o amor, de modo diferente, com os inúmeros “eus” que nos povoam o mundo íntimo, com os outros que nada pedem e de tudo precisam um pouco. Agora é a hora de ouvir o coração cantar a melodia da partilha, da entrega, da confiança na vida e no seu sentido maior: buscar e viver a espiritualidade em todos os departamentos de nossas existências.


(*1) Extraído de “Pais e Filhos”, composição de Dado Villa-Lobos, Renato Russo e Marcelo Bonfá.
(Revisão de Delano Mothé)

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